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quinta-feira, 11 de maio de 2017

On the road


Que início de semana bacana. Sai de casa, em Vila Velha-ES, na manhã da 2a feira, com destino a Anápolis-GO, para atender um cliente de 4a a 6a desta semana. Levei o parapente e kit completo para treinos de trekking and fly. Passei em Belo Horizonte por volta das 14h, chegando por Ouro Preto, e fui direto para a rampa.

Não perdi tempo. Formalidades de controle e acesso na rampa Topo do Mundo, Serra da Moeda, concluídas e preparei meu equipo para voar.
Ventinho perfeito no moedão... perfeito. Decolagem mamão e 1h de voo muito divertido. Pousei na rampa e fui para BH para encontrar uns amigos. Que dia perfeito: Voo, pouso na rampa, amigos (um cappuccino no Café Havana) depois mais amigos e um bate-papo muito agradável no Rei do Pastel da Sergipe, regado a caldo de cana... coca-cola e com sabor de pastel mineiro bem feito. Pra temperar tudo isso, aquele friozinho muito gostoso de BH nessa época do ano.

Acabei dormindo no Perácio´s Palace Hotel (obrigado mais uma vez sr. Carlos e Igor Perácio) onde tenho uma suite cativa faz teeeemmmpoooo.
6h da manhã parti rumo a Uberlândia. O objetivo era chegar cedo por lá e curtir a cidade com meus primos como fizemos algumas vezes no início desse ano. Bom, o problema é que no meio do caminho tinha uma... uma rampa. Como passar na porta de Araxá as 10h30 e  não querer ir pra rampa Horizonte Perdido voar??? Então... também não sei. Trevo à esquerda e fui pra rampa.

A condição tava clássica, bem no seu início, mas depois ficou com perfil totalmente seco. Térmicas secas e céu azul... este seria o meu playground. 


Como já estou acostumado a fazer tudo sozinho pelo mundo, não estranhei os restaurantes da rampa fechados (Cris... me deixou na mão heim). Também, em plena 3a feira... hehehehe






Bem, fui pra rampa com o equipo, ventão rolando... atenção.. atenção. Preparei tudo, avaliei e ,já sabendo do tradicional liquidificador na saída em dias de ventão, decolei preparado. Tomei muita porrada, voltei pra cima da rampa e logo logo livrei da camada suja e fui pro voo. Muita diversão. Fiz um passeio pelo paredão para a direita e depois de alguma ralação após o GAP, as boas termais começaram a dar as caras e ai foi só alegria.

Acima de 2.300m e com a meta de voar 1h e caminhar 1h, marquei um pouso nas estradas de chão atrás da rampa e fui pro pouso. A caminhada foi muito bacana... visual demais... fantástico. 58min de trekking num formato com intervalado de 5min de trote a cada 15min de caminhada puxada. Bão bisurdu.

Bom, organizei tudo no carro, tomei um banho ao ar livre na rampa e parti pra cidade para comer algo e então seguir viagem.
Jantar marcado com uma amiga em Goiânia... tudo certo... mudança de planos. Optei por ficar em Uberlândia e curtir um pouco a família e descansar. Nesta 4a de madrugada sai de Uberlândia e vim direto para Anápolis, onde atendo até 6a feira e... e... depois... Jaraguá-GO sábado (?) Brasília domingo(?) sei lá. As estradas estão por ai e o tanque estando cheio, basta seguir o instinto.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Permita-se novos ares!

Estes dias estive voando em Santana do Paraíso, uma cidade vizinha (colada) a Ipatinga-MG. De Valadares até a rampa de Santana do Paraíso, são aproximadamente 115km. Ou seja, quando estiver em Valadares e quiser conhecer uma rampa muito bacana e desfrutar de um voo com um visual de montanhas e/ou urbano alucinante, não deixe de dar um pulo lá. Vale cada minuto e cada centavo!

O acesso de Ipatinga até o estacionamento da rampa é feito em asfalto puro e em muito bom estado de conservação. Ipatinga também tem aeroporto com melhores opções de voos que Valadares e com fácil acesso e logística simplificada para o centro da cidade.


Aqueles que gostam de expandir seus horizontes e, além de treinar, aprender o novo e ir além, também podem aproveitar a região para desenvolver suas técnicas de voo em montanhas, aprender a lidar com linhas e transições, além de negociar com algumas opções de pousos restritos... dependendo da rota e do grau de empenho no voo.


As tradicionais e famosas florestas de eucalipto da empresa de papel e celulose CENIBRA estão a um passo e podem ser vislumbradas como paisagem ou desafio de navegação. A região oferece excelentes rotas para voos de triangulação tanto no flat quanto usando a montanha.


E, como para tudo há um prazer diferenciado... mesmo nos mínimos detalhes, o voo urbano é um tesão!!! Uma experiência fantástica sobrevoar uma cidade deste porte com opções de pouso o tempo todo e belos pontos referenciais tanto em solo quando para visão panorãmica em voo. Show!!! Curtam ai.




Estádio Ipatingão
Planta Industrial da Usiminas


segunda-feira, 3 de abril de 2017

Planos e ações - Ainda não chegou a hora.

Amigos, apesar de estar voando estes dias, ainda não foquei muito no recorde. A temporada por aqui não foi das melhores e a chuva tardia ainda não nos abandonou. Estou de olho na condição e planejando a busca do recorde capixaba também mas, por enquanto, tenho dedicado o tempo a treinos para o trekking and fly.
Cordilheira da Serra da Moeda - Belo Horizonte (Retornando de um bate e volta a Congonhas)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Projeto Recorde Capixaba de Parapente XC

Ainda não me dediquei muito ao parapente este início de ano, mas em breve estarei na expedição em busca do Recorde Capixaba de Distância Livre em Parapente.

Estou avaliando os ciclos da condição, o que as chuvas tardias podem provocar de bom ou ruim, as possibilidades de ventos e também estou aproveitando para decidir ao certo qual será a rampa que usarei como base para a expedição. Fiquem ligados, em breve divulgo as datas e local da expedição.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Treinamento na Espanha - Voo e Trekking & Fly

Pois então pessoal, me perdoem a demora em atualizar o blog... mas aqui vai um breve relato de como foram os dias de treino e voo na Espanha.

1a PARTE: PIEDRAHITA 

Cheguei a Madri e o plano, como a condição não estava das melhores nos pirineus, era ir primeiro para Piedrahita, na região central da Espanha. Cheguei meio que com o cronograma ultra ajustado e um pequeno imprevisto no aeroporto me tomou 30min e o efeito em cascata me levou a perder o ônibus para Piedrahita por exatos 5min. Bem, ganhei meio dia de turista em Madri e aproveitei de maneira cultural e gastronômica. Valeu bem a pena!!!

www.flypiedrahita.comNo dia seguinte cheguei a Piedrahita e fui direto para o hostal da FlyPiedrahita. Como já estava com tudo planejado, tinha uma reserva de alguns dias com a equipe da FlyPiedrahita, que possui um hostal e uma estrutura de logística e acompanhamento para os dias de voo.
A FlyPiedrahita é comandada por Steve Ham e sua esposa, Puri Almansa, ambos voadores muito experientes pelo mundo e extremamente profissionais com as atividades do turismo de voo.

A atenção, cuidados, logística e integração do grupo é uma coisa extremamente profissional e, apesar de ser voltado mais para pilotos iniciantes/intermediários em programa turístico de voo, não deixou de me ser muito agradável.

Uma das coisas que mais gosto no mundo é da troca cultural de qualquer tipo, natureza ou origem. Na FlyPiedrahita pude exercitar isto muito com os grupos que conheci durante minha estadia no hostal. Um casal da Lapônia (Lapland), um casal francês, 2 pilotos ingleses e 1 americano que mora em Dubai, fora alguns pilotos de Madri que apareceram por lá.



O programa da FlyPiedrahita é totalmente voltado para o voo. São 7 dias, 6 de voo, que inclui a opção de 3 voos por dia - com opções alternativas de rampas quando necessário. Todos os dias se iniciam com o briefing da condição, aerologia e rota de xc (voo das 13h) feito por Steve no hostal. O programa ainda  inclui alguns jantares na casa de Steve e Puri regados a bom vinho, cerveja e segue o tradicional roteiro: entrada, prato principal e sobremesa. O idioma oficial do programa é o inglês, apesar de Steve e Puri serem fluentes em espanhol e o resgate ser nativo de Piedrahita.







O hostal é uma casa antiga tradicional da região, com 2 andares, super aconchegante e muito bem cuidada em todos os aspectos. Possui quartos de casal e quartos de solteiro, uma sala de TV, uma cozinha muito bem equipada e está bem situada próximo aos bares e restaurantes de Piedrahita - apesar de se tratar de um povoado bem pequeno.










A rampa de Piedrahita é um luxo. Acesso via asfalto até a entrada da rampa, decolagem toda forrada com grama sintética, área muito ampla e segura para decolagens sem vento ou com vento forte. A parte de trás da rampa é um platô, então não há grandes riscos no caso de se voar para trás.




Voar para a parte de trás da rampa te leva a uma grande cadeia de montanhas, el Sierra de Gredos, que faz parte da cordilheira central espanhola. Voar para a parte da frente te leva a uma área flat fantástica e que, por limitação do plano do grupo, não pude experimentar nenhum dos dias. Os voos basicamente se limitam a local ou a XC para a cidade de Ávila.
Foram 5 dias muito divertidos e com bons voos. Não pude praticar meu trekking & fly mas pude começar uma boa aclimatação à condição de voo. Tradicionalmente a condição na Espanha, principalmente em Piedrahita, é muito forte e com ventos também intensos, mas como estávamos no final do verão todos os dias foram muito bons e sem grandes emoções. O grande feito nestes dias foi ter conseguido surfar a convergência que se forma quase todos os dias na região. Uma experiência muito bacana e singular.

Depois de 5 dias, finalmente era hora de partir para os pirineus. A logística foi facilitada pelo amigo Roberto, que me levou de Piedrahita a Madri, 196km praticando mais o espanhol, entendendo o cenário político-econômico atual da Espanha e dando boas risadas com as trocas de causos de cada país. Fiquei já na estação onde pegaria o trem rápido para Huesca, de onde se pega o ônibus para Castejon de Sos. Agora sim o programa principal iria começar!!!

2a PARTE : CASTEJON DE SOS

Em Castejon cheguei meio que justo na hora... no início nada se encaixava. As lojas/escolas de parapente estavam fechadas e eu não conseguia falar com os contatos. Mas a sorte virou completamente numa só tacada. Pedindo informação em uma livraria, a dona tinha uma irmã que possui um hostal espetacular. Enquanto aguardava a dona do hostal para levar minhas coisas, encontrei um piloto local muito atencioso que me deu todas as dicas do local e se prontificou a me mostrar o pouso oficial e o caminho inicial da trilha para a 1a rampa.

Tudo certo quanto a hospedagem e informações, foi só me aprontar e em menos de 30min em Castejon já estava fazendo meu hike&fly.
A região dos pirineus é uma coisa simplesmente maravilhosa. Um visual, uma energia, um magnetismo... algo muito além dos padrões comuns. Montanhas, vales, maciços, cordilheiras, rios, matas, cachoeiras, vilarejos, cultura... um composto que inspira a prática de esportes de montanha em tempo integral.
Pude praticar caminhada curta com alta intensidade por estradas e single tracks, pude praticar caminhadas longas por rodovias e estradas, pude visitar vilarejos medievais, respirar esporte e cultura exatamente como o previsto.
Como o objetivo era estritamente praticar caminhada, conhecer melhor a aerologia dos pirineus e também treinar decolagens e pousos em montanha, posso dizer que meus dias nos pirineus foram simplesmente perfeitos. Pude explorar bem o que me propus a fazer e pude também constatar a grande vantagem dos equipamentos adequados.
O que mais me surpreendeu, mesmo já indo para 2 anos de voo com meu SKY Argos (EN-C), foi o quanto uma vela leve e bem projetada facilita este tipo de prática do paragliding. Num simples hike&fly, o piloto apenas sobe a rampa desejada e vai voar com toda a condição já avaliada. Num projeto grande de Trekking & Fly, você decola de onde pode, pousa onde precisa e vai novamente decolar de onde conseguir para seguir o trajeto rumo ao objetivo. Num de meus pousos por exemplo, na rampa de Pedras Blancas, simplesmente não dava para decolar da rampa oficial por conta da direção e intensidade do vento, que formava um rotor com vento de cauda na área de decolagem. Precisei achar um outro local, avaliar a situação e decolar em segurança. O Argos fez toda a operação parecer bastante simples. Um recurso a mais quando se está num projeto tão autônomo como uma corrida de trekking & fly pelos pirineus.
 

Para completar o processo como um todo, comprei um livro guia que descreve uma das trilhas que corta os pirineus de uma ponta a outra - GR11 e o estou estudando detalhadamente para ir me familiarizando com toda a região de uma forma mais íntima do que simplesmente estudando mapas.



Meu maior objetivo é muito claro, estar apto a participar de maneira competitiva da corrida x-Pyr que terá sua próxima edição nos pirineus no verão de 2018. Preciso estudar também algumas rotas de voos realizados nos pirineus para entender melhor os pontos de transição e as possibilidade conjuntas de térmicas e vento. Estou um pouco intrigado com a x-Pyr ser executada de Oeste para Leste e ter voado todos os dias em Castejon com vento Sudeste. Inclusive observei que os competidores da edição do x-Pyr deste ano também tiveram problemas com a orientação do vento em algumas etapas.
Bem, de qualquer forma, o melhor caminho para se preparar para qualquer desafio é aceitá-lo e enfrentar a rotina de aprendizado e treinamento que seja necessária para tal.
Foram duas semanas de muito aprendizado e em 2017 estarei novamente nos pirineus afinando um pouco mais meus treinamentos.